quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Raiva Contida

Não consigo ficar calada. Parece até que se eu ficar com aquelas palavras presas na garganta, vou adoecer. Não importa o que eles digam, sintam, significam; de alguma forma elas precisam sair.
O problema é que eu, nessa minha imbecilidade típíca de ser humano, as solto das piores formas possíveis, e ironicamente, nas melhores pessoas. Fico pensando em o quão ruim eu sou por não saber lidar com a minha raiva, e tudo que eu consigo fazer com ela é descarregá-la nos outros.
É como se eu precisasse de alguém pra machucar, caso contrário eu morro engasgada com a minha própria raiva. Como Hendrix, que morreu engasgado na própria angústia. Talvez isso que me resta nessa vida. Esse ódio vai comendo a minha alma aos poucos, até eu não sentir mais nada por dentro, até eu machucar tudo e todos, e mesmo assim essa raiva não vai embora.
Acho que já virou parte de mim, devo ter nascido com isso. Chorei de raiva ao nascer. Raiva da minha mãe, que não me quis, raiva do mundo, que eu não quis.
E hoje eu não sei me decidir entre querer e não querer. Querer é muito arriscado, com tudo se destruindo lá fora. Acho que é mais seguro por agora ficar aqui, deitada na minha cama, com a minha vida previsível, guardando minha raiva pra vomitá-la na primeira pessoa que aparecer. Mas nunca é qualquer pessoa. A vida poderia ser mais fácil e me trazer alguém que eu possa vomitar toda a minha raiva sem sentir remorso algum depois. Mas ela é sacana, essa vida, sempre me traz alguém que não merece isso, e que no fundo eu me importo, mas sou orgulhosa e idiota demais pra demonstrar. Como se eu fosse desmoronar caso demonstrasse qualquer tipo de sentimento.

Já descobri que é isso que eu faço melhor que ninguém: decepcionar as pessoas que eu amo.



Texto escrito em 18 de junho de 2010, às 3h46 da manhã.

7 comentários:

Letícia Lovegood disse...

Não sei o motivo, Jessie, mas assim que terminei de ler esse texto, o número 36 veio na minha cabeça. Ele faz algum sentido para você?

Raul. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Raul. disse...

Seu post consesguiu descrever um dos sentimentos mais dificeis para ser descritos, pois a raiva nos deixa inconciente e sem palavras. Parabéns.

Radar disse...

Ás vezes a insônia é produtiva, não?

Andressa disse...

Oie. Sou nova aqui. Adorei a postagem. Sinto e mesma coisa que você. Eu desconto a minha raiva sempre nas pessoas que me amam ou que eu amo. É como se isso de alguma forma aliviasse algo que doi aqui dentro. Algo que eu nem sei o que é. E assim como você eu tambem sou orgulhosa de mais para mostrar que me arrependo.
Não sei o que dizer, mas de certa forma fiquei feliz de saber que tem alguem como eu. Eu sou má por isso? Acho que não.
Você escreve muito bem, parabe´sn.
Abraços.

Amiga Bitch. disse...

Parece que você escreve sobre a minha vida.

marcos cerqueira disse...

olha a raiva é realmente trazido pelo diabo os 7 pecados nos relata que satã ele é o demônio da ira quanto mais tem mais senti raiva ,por isso devemos tomar bastante cuidado com a raiva que sentimos pode causar danos muito ruim, ate mesmo pra quem não tem nada a ver

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